À conversa com... Diogo Martins

Foto: Portugal na Marcha

Nesta entrevista estivemos à conversa com o Diogo Martins, um atleta exemplar que sempre conciliou até aos possíveis o seu curso de Medicina com o atletismo. Ciclo esse que terminou à cerca de 2 anos, quando terminou o seu curso e teve que tomar decisões. Neste momento é Médico interno de Anestesiologia no CHLO (Centro Hospitalar Lisboa Ocidental) mas continua a seguir a marcha atlética de perto.

No seu percurso de atleta, representou os seguintes clubes:
- NACA (Núcleo de Atletismo do Conselho de Alcanena)
- CPA (Casa do Povo de Alcanena)
- SCP (Sporting Clube de Portugal)

Sobre o seu percurso, Diogo resumiu-nos as suas passagens pelos 3 clubes:
"Foi neste clube (NACA) que comecei a fazer atletismo, na altura era iniciado e treinava com o Sr. Costa (pessoa pela qual tenho imensa estima). Mais tarde o NACA fundiu-se com a Casa do Povo de Alcanena e pouco depois abandonei o atletismo. Enquanto estive no NACA devo ter feito, talvez, duas provas de marcha. Mais tarde quando regressei ao Atletismo, já como júnior, representei o CPA, até mais tarde representar o Sporting Clube de Portugal, onde vim a terminar os meus curtos, mas saudosos anos de atleta".

Idade de início da prática do atletismo:
"Não me recordo com toda a certeza, mas teria provavelmente 11/12 anos. A marcha comecei a praticar com 16 anos, apesar de anteriormente já ter tido feito 2 provas em regionais (mas sem qualquer tipo de treino)"

Recordes pessoais:
5.000m pista: 20.26,9 (2008)
10.000m pista: 42.35,41 (2008)
20km estrada: 1.24.45 (2007)

Diogo, sabemos que foste estudante em Medicina e um grande exemplo de conciliação entre os estudos e os treinos, que receita dás aos mais jovens?
R:Infelizmente não há receitas. Mas já que falamos em culinária, incluiria dois ingredientes fundamentais: primeiro a enorme paixão pelo desporto em geral, o atletismo em particular e a marcha como cereja no topo do bolo; em segundo lugar a certeza da grande necessidade de me aplicar nos estudos para garantir que conseguisse, num futuro, trabalhar numa área que gostasse e que me permitisse viver disso. Infelizmente todos sabemos que o atletismo (e a marcha ainda mais) têm dificuldade em "alimentar bocas" em Portugal.

Continua a acompanhar a disciplina de perto? Acha que disciplina (marcha atlética) cresceu nestes últimos anos?
R:Tenho tido alguma dificuldade em acompanhar de perto a modalidade. Ainda assim, sempre arranjo tempo para ir ver uma ou outra prova, puxar pelos atletas e reviver emoções passadas (agora como espectador e não como atleta).
A meu ver parece-me que a marcha, apesar de bons resultados obtidos pelos Portugueses, tem uma carência de jovens praticantes.
Portugal nunca foi uma super potência Mundial da marcha atlética, no entanto alguns bons resultados pontuais (nomeadamente a vitória feminina na Taça do Mundo do México), faz-nos acreditar nisso. Todavia ao olharmos para as camadas mais jovens temos alguma dificuldade em encontrar gente suficiente para substituir os grandes vultos da marcha atlética portuguesa actual. Falta de incentivo? Incentivo errado? Não sou suficientemente consciente da matéria para opinar.

O que achas ser necessário para o futuro da marcha atlética?
R:Começo exactamente do modo como terminei a pergunta anterior: não sou suficientemente consciente da matéria em questão para dar opiniões realmente válidas. Se os problemas do presente forem semelhantes aqueles vividos há cerca de 5 anos apontaria algumas coisas a melhorar.
Na minha opinião existia pouco empenho, pouca divulgação, pouco brio, pouca publicidade no desenvolvimento e promoção da marcha atlética em Portugal. Encontrávamos meia dúzia de pessoas realmente empenhadas em levar a marcha ao patamar seguinte, mas esforços singulares e sem apoios acabam sempre esquecidos.
Os jovens gostam de ídolos e de ver o desporto que praticam com destaque nos media. A vontade de ser reconhecido é um bom mote para iniciar uma carreira no desporto!

Por último…ainda iremos voltar a ver o Diogo nas pistas ou estradas portuguesas?
R: (Risos) com certeza verão o Diogo por aí, mas como espectador. Por muito que me tenha custado um dia tive que fazer uma opção: desporto ou carreira médica. Como todas as pessoas devem entender a escolha acabou por ser óbvia e inevitável. Tenho muitas saudades e sinto imensa falta do espírito e emoções sentidas em treinos sofridos e provas inesquecíveis, mas a minha personalidade impede-me de fazer as coisas a "meio-gás". Quando estou num projecto é para me dedicar a ele com força e vontade e não apenas fazer número.